Monday, May 19, 2008

ROSA


A descontracção com que Fred Martin se apresentava naquele tipo de eventos revelava bem a sua familiaridade com todo aquele ambiente frenético. O modo como os mais novatos o cumprimentavam (com veneração) dizendo - Oi Fred... tá-se? era também sinal do seu status naquele tipo de competição. Ele apresentava-se sempre do mesmo modo... T-shirt negra com uma estampa de um lagarto com cabeça de homem e uma coroa no topo da cabeça, por baixo a inscrição "The Lizzard King" já gasta pelo tempo e nas costas o símbolo mágico dos "Wizards of the coast", um baralho preso com um elástico no bolso e os headphones na cabeça sempre a debitarem decibeis em quantidade suficiente para que a qualquer um que passasse a menos de 1 metro dele se apercebesse que estava a ouvir Doors.
Os organizadores do torneio com um sorriso de cumplicidade e um aceno de cabeça indicaram-lhe a mesa para a qual se deveria dirigir.
Aproximou-se da dita mesa sem prestar grande atenção ao adversário (reparando apenas que era de estatura relativamente baixa) e disse com voz segura e firme - "Oi, sou o Lizzard King,e tu?"
Do outro lado da mesa a resposta foi surpreendente - "Rosa".

O campeão ainda a meio do movimento para se sentar foi apanhado de surpresa pela bela voz de mulher que tinha acabado de falar e ia caíndo com o traseiro fora da cadeira.
Depois de um bom esforço para conseguir aterrar inteiro no seu lugar, olhou com alguma insegurança para a pessoa à sua frente, o seu adversário, ou melhor, a sua adversária. Rosa era uma rapariga de cabelo curto, o seu cabelo louro tinha o simbolo da "Wizzards of the coast" pintado a vermelho, corpo de estatura média, mas possuidora de umas curvas voluptuosas acentuadas pela T-shirt cor-de-rosa que trazia e que possuia um gentil decote. Na porção que estava à vista no seu seio esquerdo antevia-se uma Rosa tatuada cujo restante traçado era impossível de ver por estar tapado pela T-shirt larga que Rosa usava. A sua face e postura emanavam serenidade e segurança.
Sem dar conta do tempo que tinha ficado especado a olhar para a Rosa deu conta do torneio a começar. Tirou o seu baralho do bolso e preparou-se quase mecânicamente (valendo-se dos seus mais de trezentos torneios participados para o fazer).
A partir daí foi uma história dificil de contar para Fred, que estava a fazer tudo de tudo para poder ver o resto da Rosa. Deixou a adversária colocar dezenas de criaturas para aumentar a distância a que ela tinha que se esticar para fazer os ataques, várias vezes disse que não conhecia uma das cartas dela para que ela se esticasse e lha mostrasse tudo na esperança de ver a Rosa. E ao fim de três jogos perdidos conseguiu finalmente ver o caule da rosa tatuada. O caule e não só... conseguiu também ver os espinhos.
O pior foi quando se apresentou ainda apático, junto aos organizadores do torneio que lhe perguntavam como de costume.
- Em que mesa estavas a jogar?
- Rosa - respondeu ele mecânicamente
- Quem ganhou? perguntaram eles quase certos da resposta.
Novamente a resposta foi a mesma - Rosa.
Admirados perguntaram então, - "de que cor era o teu baralho... não usaste o teu baralho de destruição preto e vermelho?"
Fred apenas conseguiu responder -"Rosa".
Desde esse dia, quando vai a torneios deste tipo, todos o tratam por Rosinhas, gozam com a sua indumentária uma T-shirt negra com uma Rosa cor-de-rosa impressa e com o dizer "Eu vi a rosa". Mas ele nem sequer se importa, afinal de contas viu "A Rosa".

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